O começo do ano é sempre um momento carregado de significados, o qual representa, simbolicamente, novos começos, promessas, e o mais importante, novos planejamentos. É preciso saber que são estes planejamentos que guiarão nossas ações e decisões durante todo o ano, e a partir desta reflexão, podemos nos planejar com consciência e sabedoria.
O processo de criar os objetivos representa, essencialmente, um instrumento de crescimento pessoal e de desenvolvimento das próprias potencialidades, pois estimula olhar para si mesmo, dar atenção aos próprios desejos e sonhos, e representa uma espécie de bússola que indica a direção. O ato de se planejar estimula o diálogo interior, e alguns questionamentos podem ser importantes ao se propor objetivos.
Analisar a situação de partida e possível evolução seria o primeiro passo para o planejamento consciente. Onde você se encontra atualmente? Quando sabemos o ponto de partida, ou seja, onde estamos, é a hora de dialogarmos interiormente e definirmos aonde queremos chegar, quais os objetivos. É sempre imprescindível que sejamos sinceros conosco sobre onde estamos, aonde podemos e aonde queremos chegar, e também qual a nossa capacidade de caminhar.
Mesmo sabendo que os objetivos, nos vários setores, se influenciam mutuamente, classificar os objetivos por áreas pode ajudar a mente a trabalhar mais eficientemente. Podemos separá-los em categorias principais, para permitir individualizar os aspectos de prioridade de cada setor, evidenciando valores, necessidades e interesses mais importantes, como objetivos profissionais, financeiros, pessoais, familiares, culturais, espirituais etc.
Realidade percebida e objetivos definidos, é hora de formular estratégias de ação, execução e verificação do plano. Como atingir tais metas? O que é preciso fazer com que todo o planejamento se cumpra? Quando não há planejamento, pode acontecer de não se ter uma organização do tempo adequada e não se consolidar o compromisso com o resultado a ser atingido. Estamos também mais vulneráveis às variáveis e situações inesperadas que podem acontecer, pois não temos “planejado” ou pensado em alternativas de ação. Podemos também perder a direção no meio das muitas possibilidades à nossa disposição hoje em dia, e deixar que as circunstâncias externas comecem a nos controlar.
É claro que algumas variáveis são imprevisíveis e fogem do nosso controle, mesmo que se façam todos os planejamentos possíveis. Por essa razão, treinar a capacidade de antecipar as consequências, prever quais resultados as ações poderão ter, é fundamental. Algumas metas, porém, podem se perder no decorrer do caminho, porque não são realmente importantes. Precisamos também saber fazer este tipo de avaliação.
Caso não tenha dado certo, mas se o objetivo continua importante para a pessoa, um passo importante deve ser dado: a correção ou redirecionamento. Muitas vezes precisamos redirecionar ou retomar o foco do objetivo, verificando se precisa de ajustes. Sempre podemos mudar ou redirecionar os objetivos, pois o poder criador está na pessoa, não no objetivo.
É importante lembrar que um planejamento consciente é baseado, sim, na visão de futuro do resultado, mas com muita atenção em viver a experiência do presente, sentindo e curtindo o valor da vivência e das ações feitas para se chegar à meta.
Treinar a arte de estabelecer objetivos significa contribuir para a construção de uma autoestima e autoconfiança mais sólidas, poder reconhecer e utilizar os próprios talentos e capacidades, e aprimorar as nossas potencialidades para poder, cada vez mais, amar quem somos e o que fazemos.
Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional e especialista em desenvolvimento das competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, é também autor dos livros “Viva como você quer viver” e “A vida é um milagre” (Editora Gente). Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.