A boa gestão das compras no setor público pode ajudar a ampliar as receitas da União, estados e municípios, sem aumentar a carga tributária dos contribuintes
Os profissionais que atuam na área de compras das organizações públicas ficam na linha de frente de uma delicada e desafiadora busca. A cada dia é maior a cobrança para que cada centavo gasto do dinheiro público garanta não só a aquisição de serviços e bens de qualidade, conforme as regras legais e com completa lisura, mas que tudo isso seja realizado dentro da maior economia possível. Difícil? Bem, para os que acreditaram que a burocracia da licitação não era um entrave para unir qualidade e preço, os resultados começam a surgir.
O Estado de Minas Gerais (MG) deu um passo à frente e hoje é, segundo a pós-doutora em Governo Eletrônico pela Universidade de São Paulo (USP), a consultora Florencia Ferrer, um dos melhores exemplos nacionais de como fazer uma boa gestão de compras governamentais. “O Brasil tem avançado muito, já são mais de 10 anos de pregão. Contudo, precisamos avançar mais ainda na maturidade da gestão da compra como um todo. Alguns Estados já se destacam, como São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais, que fez a lição de casa”.
A diretora da Superintendência Central de Recursos Logísticos e Patrimônio de MG, Ana Luiza Camargo Hirle, conta que de 2004 – quando foi iniciada a implantação do sistema informatizado para padronizar e controlar procedimentos – a 2010, a economia em relação ao estimado e o realmente comprado pelo Estado mineiro com o pregão foi de 22,49%. “Em valor, isso significa R$ 1,755 bilhão”, destaca.
Na receita de Minas Gerais, as compras são descentralizadas, mas controladas pelo sistema geral que bloqueia o uso de procedimentos incorretos e ainda explica ao usuário os motivos do impedimento. “A partir desse sistema, criamos uma base de dados que permite aos gestores gerar relatórios com históricos sobre as características de compra dos órgãos. Assim, começamos a trabalhar com indicadores que ajudam a implementar melhorias”, explica Hirle.
O sistema mineiro acompanha integradamente todo o fluxo, desde a solicitação, a compra e o pagamento até o patrimoniamento do item, e ainda são emitidos alertas sobre a tramitação. Mas, a tecnologia que ajuda a dar eficiência ao processo foi também o maior desafio. “Quando começamos, havia servidores que nem tinham e-mail pessoal. Uma das primeiras coisas foi fazer com que aprendessem a usar email! Foi feita capacitação, treinamento presencial e, a cada nova versão, treinamentos específicos para mais três servidores por órgão. Temos um call center com atendentes que fazem o acompanhamento passo a passo no sistema para esclarecer eventuais dúvidas e também orientam sobre a licitação, desde 2004”.
Deseja ter acesso ao conteúdo completo? Por favor, efetue seu login!
Se você não tem um login ainda,
clique aqui, e faça sua assinatura!