Adversidade e vitória têm sido palavras presentes na vida de nosso entrevistado desde o momento em que chegou ao mundo. Mas, como a vida de todos nós é resultado das escolhas que fazemos, ele escolheu olhar para as vitórias e ignorar as adversidades. Com isso, escreveu uma história de sucesso pessoal e construiu uma trajetória de conquistas esportivas inéditas para o Brasil, que quer ampliar com a participação nas Paraolimpíadas de Londres, em 2012.
Nesta edição, Capital Público traz uma entrevista diferente e apresenta a você um servidor público especial, como comprovam seus colegas de trabalho no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Conheça Sérgio Fróes Ribeiro de Oliva, campeão panamericano e mundial de adestramento paraequestre, e confira que o céu é o limite para quem sonha alto e não desiste de buscar os meios para realizar o que sonhou. Inspire-se!
Capital Público – Sérgio, vamos começar falando um pouco de sua condição, para quem não o conhece. Quais são, exatamente, as suas limitações e qual a sua causa?
Sérgio – Ao nascer, sofri falta de oxigênio na incubadora em que fui colocado, o que causou a paralisia cerebral diagnosticada como “paralisia cerebral triplégica”. Essa deficiência afetou minha mão esquerda, levemente a perna esquerda e um pouco mais a perna direita. Aos treze anos, sofri um sério acidente: caí sobre o vidro da portaria do prédio, o que causou perda no movimento da minha mão direita.
CP – Suas dificuldades não o impediram de ser um ótimo aluno. Ainda no Ensino Médio, você fez intercâmbio nos EUA. Como foi essa experiência de viver longe da segurança do seu lar e ainda, lidar com sua condição longe da família e amigos? O que isso trouxe de mais importante?
Sérgio – Eu sou trigêmeo e sempre convivi e participei de atividades junto com meus irmãos, Flavio e Eduardo, tanto no colégio quanto nos esportes. Então, como eu sempre tive as mesmas oportunidades que eles, eu aproveitei. Em 2000, meus irmãos voltaram de um intercâmbio nos EUA, e foi a minha vez de vivenciar esta experiência incrível. Não foi fácil, pois os programas de intercâmbio não aceitam qualquer pessoa, ainda mais uma pessoa com necessidades especiais. Mas eu consegui, com a ajuda dos meus pais e meu esforço e vontade, superar essa barreira. A experiência de viver longe da família, dos amigos e dos parentes mais próximos é interessante e bem legal. É um momento em que a gente cresce como pessoa, pois tem que tomar várias decisões sem ter o apoio familiar. Esse momento, do intercâmbio, foi ótimo para mim, pois ali aprendi inglês, conheci uma cultura totalmente diferente – em que as regras são cumpridas –, além de conhecer novos amigos e pessoas boas.
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